Under pressure (ou ansiedade, essa cretina)

Olá, queridos :)

Lembram que eu disse nesse post que muitas coisas estavam acontecendo? E lembram deste outro, que eu fiz quando estava sem dormir? Pois é, o que aconteceu no dia seguinte a essa noite foi que eu tive uma baita crise de ansiedade.

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Eu estava realmente indecisa sobre se eu deveria escrever isso aqui no blog ou não – sempre fico assim com assuntos mais pessoais-, mas ontem decidi que escreveria depois de ler um artigo da Glamour sobre ansiedade em mulheres jovens. Quando li o artigo tive um super alívio 1-porque ele é esclarecedor sobre causas da ansiedade e o que se pode fazer para atenuar ou resolver o problema e 2-porque é muito bom saber que você não é a única pessoa da galáxia passando por isso, in fact, muito mais gente do que pensamos passa por isso. Então como esse blog está na internet, e foi nela que eu busquei esclarecimentos, eu espero que esse post possa ajudar alguém que esteja precisando :)

Para começar, o artigo diz que ansiedade é uma coisa presente em todos nós e que, em níveis saudáveis, é boa para nossa vida: ela nos ajuda, por exemplo, a nos adaptarmos a um trabalho novo, ou a metas novas. O problema, claro, é quando a ansiedade fica tão alta que passa a te atrapalhar. E como ela atrapalha? O principal sintoma da ansiedade é o medo. Vocês sabiam disso? Eu não sabia, mesmo estando em uma fase ansiosa. Quando a pessoa fica muito ansiosa, ela fica com um medo inexplicável. Se a crise for tão grave a ponto de ser uma crise de pânico, o medo chega a ser paralisante. E uma coisa bem interessante que eu li é que em homens esse medo causado pela ansiedade costuma ser um medo de morrer, enquanto em mulheres ele costuma ser um medo de perder a sanidade. Essa parte foi realmente ótima eu ter lido, porque já tinha identificado exatamente esse medo e não sabia de onde isso vinha.

(um enorme ps: isso tudo é, obviamente, o que eu li por aí – não sou médica, psicóloga nem nada do tipo!)

Uma das coisas que mais me impressionou no artigo foram os números. MUITAS  mulheres, normalmente jovens, passam por isso – tanto que a ansiedade tem sido considerada como uma coisa geracional. Mas o que nossa geração tem que causa isso? O artigo cutuca algumas hipóteses com as quais eu concordo, acho. Uma delas tem a ver com metas inatingíveis e promessas de sucesso totalmente enganosas e outra com a falta de valores e relacionamentos mais sólidos nas nossas vidas, que bem ou mal são o que seguram quando a gente perde um pouco o chão.

No meu caso, especificamente, eu acho que foi muito uma questão de abusar da sorte. Eu já estava trabalhando feito louca no Brasil, há uns seis meses, mas lá eu ia todo dia para o trabalho, via os amigos, fazia balé, dava aula, morava com minha família. Aqui eu estava trabalhando em casa. O dia inteiro. Sozinha. Óbvio que não ia dar certo, né? Não, eu nem vi isso chegando. De repente eu me senti totalmente sobrecarregada e, principalmente, incapaz de resolver a bagunça. E essa foi a minha crise.

No artigo da Glamour, a autora (? putz, pelo nome não sei se é homem ou mulher) diz que muitas vezes os sinais da ansiedade aparecem há muito tempo, mas a gente só se dá conta muito depois. Eu não tenho dúvidas de que eu já devia estar ansiosa há séculos, mas tudo só veio à tona quando eu me vi em outro país, longe da minha família, dos meus amigos mais próximos, mergulhada em uma língua que eu não compreendo ou sei falar, enfurnada em casa o dia todo trabalhando, sem fazer um exercício físico, enterrada embaixo de uma pilha de trabalho e planejamento de viagem (que é uma delícia, até ser um pain in the ass, de tanta burocracia).

Para mim ficou super claro que eu estava fora do meu normal, mas se para você não estiver, alguns dos sintomas são pressão alta, dor de cabeça, batimentos cardíacos acelerados e, my personal favorite, o seu peito vira um nó e você fica com falta de ar. Sabiam que muitas pessoas aparecem no pronto-socorro falando que estão tendo um ataque cardíaco quando na real é só uma crise de ansiedade?

Então, se você está ansioso além da conta, o que fazer?

Bem, existem trilhões de abordagens. Se você, como eu, costuma acreditar em meios alternativos de tratamentos de saúde, existem alguns alimentos que tem o mesmo efeito no seu corpo que remédios ansiolíticos! E fazer exercícios aeróbicos de 3 a 4 vezes por semana por pelo menos meia hora faz o seu corpo se condicionar e reagir melhor aos sintomas da ansiedade, que são iguais àqueles pelos quais o seu corpo passa quando você se exercita (achei isso muito incrível). Além disso, massagens e yoga podem ajudar muito, porque trabalham com a questão do relaxamento.

Agora, se você está ansioso em um grau mais sério, procure um psiquiatra: há vários tratamentos para ansiedade para controlar as questões físicas desse problema, que são o que realmente interferem no seu dia-a-dia, se manifestando, por exemplo, como o medo. Lógico que é importante saber o que causou isso em primeiro lugar, então terapia é importante.

No meu caso, eu tive uma giiiiga melhora só de passar a trabalhar na biblioteca, em vez de trabalhar em casa, e trabalhar de manhã e à tarde, em vez de à tarde e à noite. Fazendo isso eu já me senti 500% melhor e nunca mais tive nenhuma crise. Outra coisa que eu fiz foi regular o meu horário de sono. Nem acho que seja preciso dormir muito, mas é preciso dormir BEM e criar uma rotina. Isso foi meu irmão que me disse logo no início da minha crise e fez a maior diferença.

Às vezes ainda sinto uma tensãozinha acumulando no peito, mas eu sei que isso deve ser resquícios desse desequilíbrio pelo qual meu corpo (e mente) passou. Eu não cheguei a tomar nenhum remédio, espero não ter que tomar, mas uma coisa que me ajudou beeem foi um chazinho que eu comprei de tília, valeriano e camomila. Eu não acreditava no poder dos chás, agora sou fã :)

Última coisa que quero dizer nesse post, para pessoas que estão com pessoas em crise:

1-Não fale para a pessoa não ficar nervosa. Ela não está nervosa porque quer, in the first place, e se ela tivesse algum controle sobre isso, ela não estaria passando por essa m* de situação.

2-O que importa mesmo é se mostrar como um lugar de conforto e proteção. Como eu falei, o principal sintoma da ansiedade é o medo e a pessoa que está ansiosa ou tendo uma crise de ansiedade se vê não só muito vulnerável, mas também muito incapaz. Então troca o ‘mas porque você está nervosa?’ por um ‘vai ficar tudo bem’ e se mostre disponível.

3-Não subestime o que a pessoa está sentindo. Por mais que esteja além da sua compreensão, como já esteve além da minha com muitos amigos meus, tente entender que aquilo é muito real para quem está sentindo e não vai passar por vontade própria da pessoa, não depende totalmente dela.

É isso. Espero sinceramente que vocês não passem por isso, mas se um dia passarem, espero que isso seja algum conforto ou referência :)

ps: achei esse blog muito legal também! As pessoas não falam sobre isso, mas deveriam, é um conforto a mais :)

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5 thoughts on “Under pressure (ou ansiedade, essa cretina)

  1. Já estive nessa situação… em 2011 tive uma crise de ansiedade tão grande que acabou acumulando com uma crise de gastrite. Passei uma noite inteira sem dormir e dois dias com dores horríveis. Não conseguia respirar direito, e tinha a certeza de que alguém – se não eu! – ia morrer. Realmente horrível. Não fosse a terapia, não teria sequer reconhecido o episódio como ansiedade. Provavelmente teria achado que era alguma reação à gastrite, quando na verdade foi o inverso! Mas graças a isso pude controlar melhor esse medo irracional e evitar novas crises, ou pelo menos reconhecer uma a tempo de reverter o quadro. E é esse mesmo o caminho para fugir das crises! Vou manter as dicas em mente. Qualquer coisa, estamos aí! :)

  2. Marcelita! Estamos aqui tb, meu bem! Vc deveria ter falado com a gente quando aconteceu <3
    MAs é, temos que cultivar um life style menos louco, essa foi minha brilhante conclusão :)
    mil beijos, querida!

  3. Jubs!

    Lindo post. A resposta é muito nessa linha de sobrecarregar menos, em TODOS os sentidos. Não é fácil, mas enfim… Vamos ficar bem!

    Mil beijos saudosos!

  4. Julia, apesar de ler seu blog há alum tempo e nunca comentar, dessa vez eu não podia deixar de falar que a sua atitude de escrever esse texto foi realmente altruísta. Já passei por crises assim várias vezes e sei que é bem difícil falar disso. As pessoas realmente não compreendem, e na maioria das vezes nem minha amigas mais próximas ficaram sabendo da barra por que eu tava passando. Isso gera uma puta sensação de isolamento e espero que quando alguém passando por isso ler esse post se sinta mais normal, mais ou menos como você se sentiu ao ler a revista, só que melhor ainda, já que é uma pessoa falando da sua própria experiência, e não uma jornalista. Parabéns pela atitude corajosa e pelo blog todo, que é das coisas que sempre me deixam mais leve de ler. Melhoras.

    • Lígia, obrigada pelas palavras lindas!! Adorei saber que você lia o blog há tempos! Adoro quando uma leitora sai do anonimato e passa a ter um rostinho!
      Obrigada, mais uma vez, pelo comentário. Faz o post valer a pena :)
      Muitos beijos!!

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