Dia da mulher

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Ano passado eu usei uma música e uma citação do John Lennon para falar sobre o dia da mulher. Olhando em retrospecto, apesar de gostar muito do que diz o post, foi uma ideia um pouco infeliz falar disso justamente sob a ótica de um homem, como sempre.

Eu não sou muito bem informada sobre feminismo, machismo, as políticas envolvidas em tudo isso e as estatísticas relacionadas a esse assunto (vamos lá, não guardo números por nada nesse mundo), mas acho mesmo que para falar do assunto basta olhar ao redor.

O fato é que o machismo está presente nas menores atitudes, nas coisas mais cotidianas, na nossa linguagem (e como!), nos nossos movimentos, nas nossas repressões mais ocultas e disfarçadas. É muito fácil ele passar batido por algum desavisado. Mas basta prestar atenção e todos os sinais pulam na sua frente, acenando e vestidos em neon.

No fim do ano passado, Carla Bruni, que eu adoro como cantora, deu uma entrevista falando que a geração dela não precisava ser feminista e que ela gostava mesmo é de ser burguesa e ter uma vida com rotina, com filhos e marido. Nada contra a parte da rotina, filhos e marido – de verdade, é uma grande parte do que quero para mim -, mas só o fato de ela classificar esse tipo de vida como burguesa e falar dela como uma oposição a uma vida feminista indica o quanto ainda há chão para percorrer. Se o feminismo é, hoje, obsoleto, essa distinção entre mulheres burguesas e mulheres feministas deveria realmente existir? Esse conceito em si me parece muito machista, o de mulheres que se encaixam no statu quo e as que são rebeldes. Não se pode lutar por seus direitos (o de votar, o de poder usar calça comprida, o de não ter que ouvir cantadas de péssimo gosto de desconhecidos na rua, o de poder usar uma mini saia sem ser culpada por consequências violentas por parte de terceiros) e ser uma mãe, uma dona de casa, uma burguesa ao mesmo tempo?

E Carla ainda falou isso vivendo em um país que apresenta sim questões feministas mal resolvidas e complicadas (o uso do véu cai, também, nessa discussão, não?).

O Dia da Mulher é o dia de lembrarmos que (em alguns lugares do mundo) alguns dos nossos direitos foram sim assegurados, mas é também o dia de lembrarmos que milhões de mulheres ainda sofrem de violência doméstica, que mulheres ainda são estupradas (e consideradas, muitas vezes, culpadas do crime alheio), que mulheres ganham menos que homens, que mulheres ocupam uma quantidade ridícula de cargos de chefia tanto públicos quanto em empresas privadas, que mulheres são escravas de um padrão de beleza absurdo imposto a elas muito mais do que é imposto aos homens, que mulheres sofrem preconceito no mercado de trabalho por serem elas quem carregam seus filhos por nove meses, que muitas, muitas mulheres são completamente invisíveis.

E essas são só algumas das questões sociais – das mais explícitas e facilmente percebidas – enfrentadas por mulheres em todo o mundo.

Sou da opinião que nossa geração não precisa queimar sutiãs (muito embora sejamos igualmente escravas deles até hoje), mas precisa, sem sombra de dúvida, lutar pelo direito da mulher de ser mulher sem que isso seja menos.

Feliz (sim – por todas as vitórias conquistadas!) Dia da Mulher!

*A ilustração desse post é uma homenagem a uma mulher que foi mulher como quis, como se sentia mulher, como queria ser mulher – como deve ser.

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