On the road, press conference

Assisti à press conference do filme On the road e fiquei ainda mais apaixonada pelo Walter Salles – e com mais vontade de ler o livro.

Muito incrível que os atores tiveram a oportunidade de conversar com as pessoas do livro que ainda estavam vivas e com pessoas que conviveram com elas. Esse tipo de pesquisa para filme é uma preciosidade! Eu daria tuuuudo para ir nesse road-trip preparatório (em qualquer road trip, for that matter).

Fiquei encucada com algo que o Walter Salles falou: those characters in the book have the courage to experience everything in the flesh, (…) and not vicariously through a screen. And I think that this gains a lot of importance today as well, cause the only way you can develop a critical perception of the world is through the personal experience.

Não sei se eu concordo muito com a última parte do que ele disse, de que a única forma de se ter uma percepção crítica do mundo é através da experiência pessoal. Se por experiência pessoal ele quis dizer vivência, esse foi um debate que eu tive com minha professora no primeiro período da faculdade, na aula de Formação do Leitor. A leitura, o cinema, a arte não constituem formas de experiência?

Por outro lado, vejo o ponto dele no sentido de que nossa geração às vezes se prende muito às formas virtuais de experiência (sabe, esse povo que tem blog. hehe) e nem sempre realmente vivencia fisicamente, ‘in the flesh‘, a vida.

Any thoughts?

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4 thoughts on “On the road, press conference

  1. tentando de novo :)
    eu tinha dito que o que mais me intriga é a infinita possibilidades de maneiras de se fazer um filme. eu ja vi e vivi experiencias em que o diretor jogava os atores em cena quase completamente “no escuro”, sem saber praticamente nada da trama ou da cena em si… e vi atores ficarem bolados com isso, por se sentirem bonecos nas maos dos diretores e nao poder participar plenamente da criacao do personagem…
    isso geralmente acontece quando a experiencia que se busca é a do nao saber, e alguns resultados interessantes podem surgir dai…
    mas tambem ha momentos como este do walter salles…
    enfim, eu gosto de pensar nas mil e uma possibilidades para se fazer um filme.
    (o outro comentario tava mais bonito, e que esse nao seja devorado hehehe)

  2. eu lembro direitinho do texto de onde saiu essa oposição “vivência” x “experiência”, e esse assunto também me pirou no início do curso. acho que tinha muito a ver com a necessidade de colocar um sinal de positivo numa coisa e um sinal de negativo na outra – eu queria entender o que era melhor pra poder perseguir uma coisa ou outra, quando na verdade a única coisa que deve ser entendida dessa distinção, eu acho, é que são duas coisas completamente diferentes. Relendo Benjamin com calma, cheguei à conclusão de que ele estava alertando para a morte da experiência em decorrência do excesso de informação proporcionado pela mídia, e nesse caso ele está certo mesmo. Essa sensação de “estar informado” , que é também a sensação de estar “vivendo” o acontecimento, não tem nada a ver com a experiência da coisa em si. É a diferença entre falar “eu vivi uma guerra” e “eu estive numa guerra”. Só que colocar a arte na equação embaralha muito as coisas pra mim. Porque o que está no livro ou na tela, mesmo que autobiográfico, já não é mais a experiência em si. Então ninguém me convence de que a experiência da leitura ou de assistir um filme é menos intensa e transformadora do que a experiência real (vide o nível de desconcerto e desespero que alguns livros e filmes causam em mim). On the other hand – e especialmente quando o indivíduo em questão quer produzir arte que comova o outro – não adiante ficar sentado debaixo de uma estante. Há de se encontrar um equilíbrio: aquilo que eu escrevo é resultado direto das coisas que eu li/assisti e das coisas que eu vivi na pele. E eu acho mesmo que hoje em dia a gente precisa se forçar a viver algumas coisas.

    Outro dia, num episódio de “Girls” (que você deveria estar assistindo), uma personagem estava incentivando a outra a pegar o chefe de uma vez, já que ele estava dando em cima dela. “But why?” a amiga pergunta. “For the story”, a outra responde. E eu percebi que muitas das coisas mais legais que eu já fiz na vida, fiz “por causa da história”. Porque podia dar uma história legal, mesmo que fosse irracional, perigoso ou idiota. E se eu precisei me convencer a fazer essas coisas, é porque nossa geração anda meio carente de “histórias” sim, meio protegida demais.

    Dito isso, faz todo o sentido o que o Walter falou. Por mais que “On the road” fosse o livro de cabeceira da Kristen (ela disse que era, e eu acredito, ela faz o tipo), jogar eles na estrada “for the story” foi a melhor ideia que ele teve. Mesmo que seja uma experiência programada e quase artificial, uma vez ali as coisas acontecem, e isso deve ter feito um bem danado pro filme. Deve ser desse embate da experiência lida com a experiência vivida que saem as melhores atuações.

    Ou poderia ter sido tudo improvisado, como o João disse, mas acho que isso só funciona com um roteiro também aberto, o que no caso da adaptação de um livro tão cultuado não ia agradar muito, eu acho.

    Gezúis, preciso trabalhar. seu blog me desconcentra, Ju!

  3. eu nem vejo essa experiencia proposta pelo salles como “artificial”, porque o cinema é uma arte, em suma, programada mesmo :-) faz parte do jogo.
    acho que o ponto é oferefer pro ator um gostinho de tal experiencia X pra que ele possa apartir dali buscar em referencias particulares as sensacoes que vao levar o cara a fazer aquela expressao… pelo menos é o que eu ouco dos atores com quem conheco e ja trabalhei. mas os métodos, como ja disse, sao milhares. e essa é a graca maior da brincadeira :)

    ps: o bom de trabalhar vendendo discos é nao precisar tanto assim de concentracao :-P

  4. Eu to gripada e meio lesada para pensar, mas vamos lá: Eu concordo em parte com o que você falou, Lu, de que nossa geração está carente de viver a coisa ‘na pele’. Mas eu acredito cada vez mais na naturalidade das coisas. Não sei se eu faria algo ‘for the story’. No fundo, isso não é fazer algo que você não quer porque é mais legal para terceiros, para os leitores? Não sei se gosto da ideia.

    Mas enfim, não era disso que eu queria falar. Eu queria falar que: não consigo separar a experiência como ‘in the flesh’ ou ‘arte’ tão facilmente assim. Bem ou mal, quando você assiste um filme, lê m livro, vê novela (que seja!), você experimenta MUITOS pensamentos e MUITAS sensações e nenhuma delas é irreal só porque são abstratos. E, por isso, não consigo classificar como mais fracas ou menos críticas ou menos pessoais. Você está vivendo aquela leitura. Claro, não é igual a viver a história, mas não deixa de ser uma vivência. Você está vivendo o ato de ler e se comunicar e construir pontes com aquele texto (tela, tv). É aquele papo da JK, só pq tá na sua cabeça não é real? Eu acho que é! E eu lembro que falei disso com a Rosana até em um contexto levemente diferente. Ela perguntou se um escritor seria capaz de escrever sobre uma coisa que ele nunca viveu com propriedade. E aí a resposta que pops up in our head é ‘claro que nao, quem viveu tem mto mais propriedade’, mas só de olhar para os livros a gente vê que nao é asism, que raramente as pessoas de fato VIVERAM o que escrevem. Então como faz? Qual é o limite da vivência? Se eu imagino uma história inteira e conto ela de modo tao convincente ao ponto de o meu livro bombar com milhoes de leitores que se identificaram com ele, esse ato de imaginar não é, de certa forma, viver?

    Não sei se to fazendo sentido mais, hahaha. Tenho que correr com o trabalho tb!

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