Fechada para balanço

Semana passada eu escrevi um pouco (pouquinho mesmo, para um assunto tão vasto) sobre términos e vocês, queridos leitores ♥, pareceram gostar (ainda bem! me dá um certo medinho escrever sobre essas coisas aqui no blog :). Então, depois de uma longa conversa com a Manu, resolvi escrever hoje sobre uma coisa que está na minha cabeça há muito tempo e dialoga muito bem com todo esse assunto.

Estávamos conversando justamente sobre como as mulheres que ficam solteiras por muito tempo são sempre carimbadas com algum tipo de desculpa que justifique esse comportamento. Eu mesma já ouvi algumas vezes que eu estava traumatizada com meu último relacionamento e, por isso, não me abria para pessoas novas. Acho que todo término deixa pequenos traumas, dificilmente as coisas acontecem sem nenhuma mágoa, nenhuma questão em aberto, nenhum ponto no qual batemos por meeeses até compreendermos tudo com mais clareza. Sendo assim, não acho a palavra traumatizada de todo inadequada, mas acho que ela é totalmente secundária, pelo menos no meu caso.

O meu último (e único) namoro terminou há pouco mais de dois anos e durou pouco mais de dois anos, então eu tinha 20 ou 21 anos quando ele começou (pois é, não lembro o ano! muito terrível?). Eu, sendo uma pessoa extremamente atrasadinha (meu pai que fala: meu dente demorou a nascer, demorou a cair, meu cabelo demorou a crescer, eu demorei a crescer), comecei a curtir minha adolescência mesmo com uns 16, 17 anos. Quando eu comecei a namorar, eu estava saindo dessa fase da minha vida e entrando no meu primeiro relacionamento sério. Acho que nunca passei por tantas mudanças em tão pouco tempo. Quem eu era antes, durante e depois do meu namoro são três pessoas muito diferentes e eu acho isso não só natural, como positivo. Eu comecei a namorar sendo uma menina, sem muitos planos concretos, mas com muita imaginação. Durante meu namoro, eu me entreguei totalmente a fazer aquilo funcionar e foi um namoro muito intenso, em muitos sentidos – eu e meu então namorado éramos muito diferentes e tivemos que trabalhar muito para conviver com essas diferenças, nós dois estávamos passando por muitas transformações (me formei, fiquei sem emprego, bastante perdida) e estávamos muito angustiados com isso tudo. Ao mesmo tempo, nós éramos muito unidos e muito complementares e nos tornamos muito parte um do outro. De repente, eu era uma extensão dele, e ele de mim. Quando as coisas enfim se despedaçaram e nós dois constatamos que realmente não havia para onde ir ou por que ir a algum lugar juntos, tudo finalmente acabou. E eu fiquei com tudo o que eu sabia como uma adolescente, tudo o que eu sabia como namorada e … só. Quem eu era agora, o que eu queria para a minha vida, quem eu queria para estar ao meu lado eram perguntas para as quais eu não tinha resposta, nem remotamente.

Então, se desde então eu estou sozinha, não é porque não conheci ninguém (conheci pessoas maravilhosas, in fact), ou porque fiquei extremamente magoada e traumatizada com como as coisas terminaram. Hoje eu vejo com toda a clareza do mundo que eu escolhi estar sozinha até agora porque precisava como nunca me conhecer, me entender e entender as minhas ambições e os meus desejos mais primários: quem sou eu, o que eu quero, o que eu procuro. Nesse sentido, esses dois anos foram muito reveladores. Eu aprendi a me compreender como nunca tinha compreendido e hoje eu tenho na minha mente um desenho muito mais preciso de quem eu sou, o que eu quero para meu futuro e que tipo de relacionamento eu busco para mim. Não acho que eu teria conseguido isso tudo estando envolvida com alguém como gosto de me envolver quando estou namorando e, por isso, não me arrependo nada de ter me dado esse tempo, independentemente do que os outros possam pensar. Hoje, thankfully, acho que finalmente estou perto do fim desse período de reconstrução e estou verdadeiramente feliz com seus frutos – e feliz com quem eu sou, for that matter :)

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2 thoughts on “Fechada para balanço

  1. entendo bem! mais ou menos como vc, namorei dos 20 ao 23 e só no fim fui me dar conta de como eu e ele nos tornamos pessoas diferentes das que éramos, não que isso fosse ruim, mas era normal que o namoro tivesse que mudar por conta disso tudo. às vezes a gente só consegue ter essa clareza quando fica separado.. aprender a ficar sozinho é uma arte, é uma forma de se descobrir e construir a sua identidade, assim como aprender a ficar junto… ah, o amor..

  2. Bom, eu sou suspeita pra falar, porque sempre martelo aos quatro cantos basicamente tudo que você escreveu aí. Mas acho que ficar sozinho na vida adulta é fundamental para descobrir quem realmente somos e o que queremos ser. Todos deveriam tentar por ao menos um breve período.

    Assim como ter amigos maravilhosos como você, que são sempre uma enorme inspiração para a compreensão dos dias. Love u!

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